quinta, 17 Ago , 2017
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CÔNEGO DARCIE: 25 ANOS DE VIDA RELIGIOSA EM SÃO JOSÉ

há 1 mês

Texto: Natália Tiezzi Manetta
Fotos: Pedro Júlio Phográfias 

Paz e ânimo. Duas palavras simples, dois sentimentos essenciais para que o ser humano tenha uma vida mais plena. Porém, nestes tempos de grande competição, seja na vida profissional ou pessoal, de agitação, inquietude, ansiedade, enfim, fica difícil encontra-los e até mesmo equilibra-los.

Todavia, há pessoas abençoadas e destinadas a transmitir a paz e o ânimo aos seus semelhantes. Que através de uma palavra, de um gesto ou de um simples olhar conseguem transformar a vida de muitas e muitas pessoas.

Assim é nosso homenageado de hoje em Evidência Revista. Nas próximas páginas, você, leitor, conhecerá um pouco da linda história de vida de um homem que há 25 anos vem transmitindo paz e ânimo para muitos rio-pardenses, o Cônego João Antônio Darcie.

Durante a entrevista, concedida na Igreja Matriz São José, sua Paróquia desde que chegou a São José transferido de Mococa, o Cônego falou sobre a vida religiosa, sua rotina como padre, o exercício da fé para livramento da inveja e demais males que afligem o ser humano. Confiram:

DE VOLTA ÀS ORIGENS

O Cônego Darcie, apesar de ter nascido e sido criado em São José, não iniciou sua vida religiosa na cidade natal. “Fui para Mococa, onde criei a primeira Paróquia descentralizada da Matriz, a Sagrada Família. Entretanto, em 1989, a pedido do Bispo daquela época, fui transferido para Rio Pardo e iniciei minha vida religiosa aqui dia 31 de dezembro daquele ano”, explicou.

Ele disse que se adaptou bem a nova Paróquia, a Matriz São José, pois foi muito bem acolhido pelos fiéis rio-pardenses. “O povo aqui sempre foi muito acolhedor comigo. Recebeu-me com muito carinho e respeito e isso se mantém até hoje. A adaptação mais difícil foi a estrutural, pois a igreja daqui era bem diferente de Mococa”, relatou.

6 MIL MISSAS, 4 MIL BATIZADOS, 2 MIL CASAMENTOS

Os números acima retratam a trajetória religiosa do Cônego Darcie. Aos 69 anos, sendo 44 deles dedicados à Igreja, ele continua muito bem disposto e segue uma rotina que o fortalece a cada dia.

“Na parte da manhã costumo fazer minhas orações pedindo a Deus que abençoe meu dia, pois ao longo dele escuto meus fiéis, que vêm até mim e me contam seus problemas, angústias, etc. À noite, antes de dormir, oro novamente por todas as pessoas que me procuraram durante o dia. É um ritual que faço há muitos anos e que me fortalece”, contou.

Sobre os fiéis rio-pardenses, o Cônego Darcie destacou que são participativos e concretos no agir da religião. “Eles são muito ativos e procuram vivenciar a religião não apenas aos domingos, nas missas, mas no cotidiano, assim como realmente deve ser”.

UM PADRE, UM AMIGO, UM ORIENTADOR...

Mesmo após 25 anos em Rio Pardo, o Cônego ainda é muito solicitado para orientação aos fiéis. Prova disso é que ele geralmente é parado nas ruas por muita gente que busca uma palavra, uma oração, uma orientação.

E a formação acadêmica do Cônego, em Pedagogia e Teologia, com ênfase em Psicologia, o ajuda muito nestes encontros com a população. “Essa formação me ajuda a entender a linguagem dos fiéis e o que realmente necessitam naquele momento”.

O Cônego disse que sempre procura orientar as pessoas no sentido de transmitir-lhes um pouco de paz e ânimo para seguir em frente, seja qual for o problema ou obstáculo a ser enfrentado.

“Gosto quando sou solicitado pelos meus fiéis, pois isso significa que as pessoas estão buscando a Deus através de minhas palavras, de minha orientação. Na verdade sou um pequeno instrumento de Jesus na permanência da fé”, ressaltou.

VAMOS ‘EXERCITAR’ NOSSA FÉ

O Cônego destacou que para aprendermos a lidar com as adversidades da vida, bem como espantar sentimentos ruins de outras pessoas por nós como a inveja, por exemplo, é necessário exercitar nossa fé para fortalecer nosso espírito.

“Costumo dizer que nossa fé deve ser alimentada todos os dias, sejam eles bons ou ruins, pois somente assim estaremos fortalecidos espiritualmente para enfrentar qualquer obstáculo”.

Segundo o Cônego, a inveja é um mal que pode e deve ser combatido com a fé. “A inveja nada mais é que uma tristeza pelo bem alheio. E para afastar essa tristeza do invejoso para que ela não domine nosso espírito é preciso exercitar nossa fé com orações, olhar com amor ao nosso semelhante, colocar em prática os ensinamentos de Deus e nunca desanimar diante dos problemas. Tudo isso fortalece nosso espírito e afasta essa tristeza que toma conta das pessoas invejosas para que ela não atrapalhe nossas vidas”.

CASA DE NAZARETH: INSTRUÇÃO PASTORAL AOS FIÉIS

Além de rezar suas missas aos domingos na Igreja Matriz, bem como atender seus fiéis e cuidar das funções administrativas da Paróquia, o Cônego Darcie também dispõe de seu tempo para cuidar da Casa de Nazareth.

Ele explicou que o espaço foi erguido na metade da década de 80, através do Monsenhor Denizar Coelho, à época Pároco da Igreja Matriz.

“A Casa de Nazareth se tornou uma importante ferramenta de instrução pastoral aos fiéis e ela foi criada exatamente para essa finalidade. Milhares de pessoas já passaram por ela e tiveram a oportunidade de conviver com seu semelhante, orar, entre muitas outras lições religiosas e de cidadania”.

Atualmente, a Casa de Nazareth é um ponto de encontro de fiéis de toda a região, que utilizam o espaço para palestras, retiros, convenções, etc. “Há encontros todos os finais de semana. É bonito ver a Casa cheia, principalmente de jovens, crianças. Isso mostra que as futuras gerações continuam comprometidas com a religião, aprendendo os ensinamentos maravilhosos de Deus. E com certeza vão repassa-los a seus filhos, seus amigos, uma verdadeira renovação da fé”, concluiu o Cônego Darcie.


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