quinta, 16 Jul , 2020
evidencia

Dona Terezinha: Mãe de amor, de fé e de compaixão

há 3 semanas

• Fotos de Capa: Pedro Júlio Photografias • Textos e Reportagens: Natália Tiezzi Manetta • Direção, Criação e Produção: Marcelo Trinca • Criação e Diagramação: Agência Boomerang

Amigos leitores. Neste mês especial e dedicado às mamães, Evidência Revista traz em sua capa uma mulher que é considerada muito mais que uma mãe para milhares de pessoas. Com seu jeito simples, determinado, uma voz que ao mesmo tempo que acalma, é empossada a chamar muitos à realidade da vida, ela conquistou o amor, o respeito e o carinho muito além de seus quatro filhos.

Com vocês, e de uma forma muito especial, dona Maria Terezinha Nogueira Dias, ou simplesmente dona Terezinha, como é popularmente conhecida. Quem hoje conhece essa mulher forte nem imagina que foi uma criança frágil, que enfrentou muitas dificuldades e, segundo ela, passou a maior dor de sua vida: a fome e a sede.

Porém, tantos obstáculos não tiraram dela esse olhar de compaixão ao próximo. “Na escola, ainda pequena, eu sentia quando alguma amiguinha estava precisando de ajuda, principalmente as mais carentes de afeto e atenção”, disse.

O dom de orar, mas principalmente o de ouvir o seu semelhante, lhe ajudou na criação de Rodrigo, Roberto, Odair e Bruno, filhos que ela fala com muito orgulho de tê-los criado próximos a ela em todos os sentidos: desde o momento da oração até as refeições feitas sempre em família.

Além de contar um pouco de sua vida como mãe dos filhos biológicos, dona Terezinha falou sobre sua vocação na Obra Deus Proverá, uma verdadeira missão que ela abraçou em sua vida, cujo propósito é auxiliar as pessoas, seja qual for o problema a ser enfrentado.

Muito sensitiva e religiosa, ela também apontou quais são as maiores dificuldades do ser humano nos últimos tempos e, claro, deixou uma mensagem especial a todas as mães.

Dona Terezinha, como foi sua infância? A senhora tem boas recordações daquela época?
Maria Terezinha Nogueira Dias: Tive uma infância onde passamos por muitas dificuldades. Éramos uma família muito humilde, em quatro irmãos. Sofremos quando meu pai nos deixou. Foi uma época dura, de muitos desafios, onde minha mãe foi pai e mãe ao mesmo tempo e lutou muito para criarmos. Confesso que passei fome e sede, as piores dores da minha vida, mas o amor de mãe e entre irmãos nunca me faltou. Até mesmo meu querido pai eu perdoei, cuidei dele enquanto esteve enfermo e hoje posso dizer que o amo muito. Aprendi a superar as adversidades enfrentando-as com muita fé em Deus, sempre!

Vamos falar um pouco sobre a maternidade. Com quantos anos se tornou mãe? Foi uma gravidez planejada?
Fui mãe aos 24 anos, ainda solteira, portanto, não foi uma gravidez planejada, mas a recebi como uma bênção de Deus em minha vida. E assim nasceu o Rodrigo. Logo depois me casei e tive meus outros três meninos. 

Como mãe, a senhora acha que hoje em dia está mais difícil educar os filhos? Por quê?
Sim, hoje, infelizmente está muito mais difícil, principalmente porque falta união entre as famílias. Quando meus filhos eram pequenos tínhamos o hábito de orar juntos, de sairmos juntos para passear, de sentarmos à mesa para as refeições. Inclusive, antigamente, acredito que as mães eram mais presentes na vida dos filhos, pois não trabalhavam tanto fora como acontece hoje. Não estou dizendo que a profissão seja ruim para a mulher, ao contrário, isso a faz se sentir mais segura, mais realizada. Entretanto, essas mulheres precisam dedicar um pouco do seu tempo também aos seus filhos. Eles sentem a falta de uma mãe, de um carinho, de um colo, de uma simples atenção.

As mães estão muito permissivas hoje em dia?
Não diria permissivas, mas acho que precisam ter mais ‘pulso firme’ para educar. Educação não é proporcionar bens materiais aos filhos, mas, supri-los com amor, disponibilizando um tempo para ouvi-los em seus problemas, fraquezas. E isso independentemente da idade que eles tenham. Filhos serão filhos para o resto de nossas vidas. Além disso, oriento sempre às mães a orarem junto com os filhos, independente de religião. É um momento de encontro, de reflexão e de carinho diários. 

Agora, vamos falar sobre seu dom de orar, de ajudar ao próximo. Há quanto tempo a senhora usa do mesmo para auxiliar as pessoas?
Acho que isso nasceu comigo, pois desde pequena, quando ia à escola, eu sentia quando alguma amiguinha precisava de ajuda, principalmente aquelas mais carentes de afeto, atenção. Já conversava, ajudava com uma palavra desde aquela época. Estou há 37 anos com essa missão que vai muito além de orar para o meu semelhante, mas de ter compaixão por ele. 

Qual o motivo que leva as pessoas a procurarem tanto pela sua ajuda?
Hoje em dia as pessoas, desde crianças, adultos, idosos, estão muito carentes de afeto. Falta um colo, um abraço amigo, uma palavra que console, que traga à realidade, uma oração que conforte. Em resumo, está faltando amor. E a falta desse sentimento tão nobre está levando muita gente à depressão, ansiedade, doenças do corpo e da alma. Muita gente está desistindo da vida por falta de bons sentimentos: tanto de recebê-los, quanto de doa-los ao próximo.

Como fazer do sofrimento uma forma de superação?
Sou a prova viva de que isso é possível por meio do amor de Deus. Tudo que aconteceu de ruim em minha vida me deu forças para ajudar as pessoas que precisavam de mim. A fé é algo que ninguém tira da gente. E ela ajuda a termos força para levantar todos os dias. Nenhum sofrimento é eterno. Tenha certeza que Deus cuida de cada um de nós, portanto, não tenha medo de lutar, de enfrentar as dificuldades e se precisar de ajuda, busque-a! 

Quantas pessoas a senhora já atendeu em sua missão? Alguma história que lhe marcou?
Milhares. Daqui de São José e de toda a região! São tantos testemunhos de fé, superação, adoração que fica difícil citar. Um deles é do meu próprio filho, Rodrigo. Ele superou e ainda supera muitas adversidades em sua vida, mas nunca desiste do seu propósito com a Obra. Ele se tornou exemplo e referência aos próprios 3 irmãos. Uma história de superação recente aconteceu nos últimos dias. Estava orando e muitas coisas vêm em minha mente neste meu momento com Deus. Dessa vez apareceu-me uma pessoa, sofrendo e se levantando de uma cama. Não entendi, mas aquilo me marcou. Dias depois uma moça me ligou dizendo que estava em uma depressão tão profunda que não tinha forças nem para se levantar. Ela disse que há alguns dias tinha recobrado as forças e conseguiu ficar de pé novamente. Comecei a chorar junto a ela ao telefone. Esse retorno, esses testemunhos, essa fé é o que me faz continuar. Ver a superação, a alegria, o amor de Deus agindo no ser humano não tem preço!

Como está sendo esse período de isolamento social, já que a senhora estava acostumada a atender pessoalmente?
Para mim é muito difícil ficar longe do povo - eu sempre fui e continuarei sendo do povo. Mas, para prevenção a essa doença terrível, tivemos que nos separar temporariamente. Entretanto, se eu não posso ir até as pessoas, Deus pode. 

As redes sociais estão lhe ajudando?
Sim e muito! Todos os dias transmito a oração, sempre as 15h00 pela minha página e também pela página da Obra Deus Proverá. É uma forma de chegar até as pessoas, de continuar ajudando mesmo distante. A Internet está sendo essencial neste período.

Há algum lado positivo nesta pandemia da Covid-19?
Apesar de estarmos vivendo um período de muito sofrimento, não apenas por conta dessa doença, acho que esse isolamento social está sendo positivo do ponto de vista de unir as famílias. Pais me relatam que estão tendo mais tempo de brincarem e ouvirem seus filhos, coisas que antes era quase impossível acontecer. Estamos aprendendo com a dor a sermos mais humanos, a reconhecer nossas fragilidades, a exaltar o trabalho de pessoas que até então passavam despercebidas em nossas vidas como coletores de lixo, enfermeiros, entregadores: sem esses profissionais seriam impossível sobrevivermos a tudo isso que está acontecendo. Nem tudo que aprendemos em nossa vida é pelo amor, muitas vezes é pela dor. E é isso que acontece com o mundo neste momento. Estamos passando pela Unidade da Dor para chegarmos à Unidade do Amor. E tudo isso vai passar, eu Creio! 

Para finalizar, que mensagem a senhora deixa a todas as mamães neste dia especial?

Eu sei que há muitas mães sofridas por aí, mesmo assim, amem e perdoem muito. Não tenham medo de enfrentar as dificuldades familiares. Nenhuma de vocês está sozinha. Deus também está e é por todas nós, mães!


Dona Terezinha com seus netos.


Fotos: Pedro Júlio Photográfias


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